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Ofensiva deve derrotar substitutivo do deputado Tarcísio Zimmermann
A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados amanheceu, na última quarta-feira (7), com aproximadamente 400 sindicalistas lotando o plenário 2. Isto para,
inicialmente, impedir a votação do substitutivo do deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS) ao PL nº 1.528/89, que regulamenta o artigo 8.º da Constituição. Depois, a decisão tomada foi de derrotar, na Comissão, esta proposta, escolhendo, então, novo
relator. A propositura teve apoio de 13 dos 18 deputados presentes.
Nas palavras do presidente da Comissão, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a sessão foi “histórica para a Casa”, pois compunham a mesa, da audiência pública, 16 entidades
diferentes. Entre elas, centrais sindicais, federações, sindicatos e a classe patronal. Destaque para os sindicalistas do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e da Confederação Nacional dos
Trabalhadores no Comércio (CNTC).
Durante a audiência, conforme as lideranças iam se pronunciando, com limite de cinco minutos por pessoa, ficava, cada vez mais certo, que o projeto em questão não tinha
quase que nenhum apoio. Das 16 organizações, apenas Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical se posicionaram favorável. Até o setor empregador, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), da Industria (CNI) e dos
Transportes (CNT), foi taxativamente contrário à proposta.
Com a pressão (gritos e cartazes) cada vez maior da numerosa platéia e diante dos posicionamentos das entidades (CGTB, NCST, entre outras), ficou evidente que a melhor
estratégia seria votar e, definitivamente, rejeitar o projeto. De início não se tinha esta noção: os sindicalistas desejavam unicamente retirar o substitutivo de pauta. Após circular a informação de que, em 2006, o presidente da Comissão seria
substituído por um deputado petista – provavelmente o próprio Zimmermann ou o capixaba Marco Maia – e, portanto, sensível aos cutistas, o posicionamento foi outro: com maioria na Comissão, não teria por quê não enterrar de vez projeto. O deputado
Marcelo Barbieri (PMDB-SP) deu a entender que a troca na presidência parece certa. “Temos que votar este projeto com o senhor na presidência (Henrique Eduardo Alves), pois foi vossa excelência que o conduziu”, conclamou.
Para o peemedebista, é inaceitável retirar o substitutivo de pauta para discuti-lo novamente em 2006. Esta proposta já tramita há, pelo menos, um ano e cinco meses. “Já
foi discutido tudo”, avaliou Barbieri. Já o coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, acredita que há possibilidade para avançar nas negociações, apesar de reconhecer que o substitutivo traz alguns retrocessos. “(Ele abre espaço para) as
centrais sindicais negociarem em nome dos trabalhadores”, citou.
Outro problema, para o presidente da NCST, José Calixto Ramos, é que o substitutivo não inclui os servidores públicos. "É necessário um projeto específico para
contemplá-los", ressaltou. Assim, a audiência pública terminou sem consenso por volta das 13h20 e marcou-se para as 14h30 a decisão acerca do destino do substitutivo de organização sindical (no link abaixo a análise do projeto feita por Zé
Maria).
Os ânimos se acirravam na Câmara dos Deputados: debates calorosos nas Comissões, com intensa profusão de pessoas. Os temas centrais eram a polêmica lei do aborto, a lei
geral da micro e pequena empresa e as demais Comissão Permanentes. Assim, após muita discussão e grande dificuldade para a Comissão ter quorum, às 16h foi iniciada a Reunião Deliberativa Extraordinária.
Por 13 votos a 5, a Comissão manteve o substitutivo em pauta e marcou a votação para a próxima terça-feira (13). Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves, será
escolhido outro relator para o substitutivo de organização sindical, caso o texto de Zimmermann seja rejeitado. E dois dias depois já será apresentado novo parecer. O autor de toda esta estratégia foi o peemedebista Marcelo Barbieri, defensor
sagaz da unicidade sindical. Ele, inclusive, tem pronto um substitutivo que prima pelo fortalecimento, sobretudo, do sindicato de base (no link abaixo, em primeira mão, a íntegra do anteprojeto).
Com isso, provavelmente, o deputado paulista seja acolhido como futuro relator do substitutivo de organização sindical que tramitará na Comissão de Trabalho.
Reforma Sindical
Toda a discussão desta quarta-feira (7) gira em torno de uma nova proposta de Reforma Sindical. A PEC 369/05 apresentada pelo Ministério do Trabalho foi, segundo
deputados da Comissão de Trabalho, “sepultada”. "Não estamos frente a uma proposta que tenha o mesmo conteúdo da Reforma Sindical", afirmou Zé Maria, no artigo abaixo. Ou seja, o substitutivo atual é ruim, mas o projeto anterior é muito pior.
A expectativa, é de que, com um novo substitutivo (como o elaborado por Barbieiri), os sindicatos tenham direitos assegurados e não retirados.
Confira a análise do coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, acerca do projeto do deputado
Tarcísio Zimmermann.
Confira a íntegra do anteprojeto elaborado pelo deputado Marcelo Barbieri. Sobe
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Reforma
sindical: 1/3 do Congresso é contrário ao texto produzido pelo
FNT - DIAP (Marcos Verlaine)
Bancadas
do PCdoB, PDT, PTB, PSB e PMDB no Congresso se posicionam
contrários à reforma sindical; CNI tem posição a favor, “com
ressalvas”
Com a decisão da
bancada do PSB no Congresso, de “fechar questão” contra a PEC
nº 369/05, que trata da reforma sindical, agora um terço do
Congresso, do ponto de vista formal, já se posiciona contra o
texto produzido pelo Fórum Nacional do Trabalho (FNT), em
discussão na Câmara.
Na última
quinta-feira, 05/05, os socialistas – em reunião da bancada,
da executiva nacional e do setor sindical do partido – tomaram
a decisão de votar contra a matéria. Até o momento, cinco são
os partidos com representação no Legislativo – PCdoB, PDT,
PTB, PSB e PMDB – que decidiram votar contra a proposta.
Juntos, estes
partidos representam 172 deputados e 34 senadores; quantidade
suficiente para impor veto à matéria. Uma PEC, para ser
aprovada no Congresso, precisa de no mínimo 308 votos de
deputados e de 49 de senadores. Aliado a esse contingente de
congressistas, uma expressiva parcela do movimento sindical
combate o texto da reforma sindical apresentado pelo FNT.
Posição dos
comunistas
O primeiro partido
a expressar posição contrária à reforma sindical no Congresso
foi o PCdoB. Este partido, por meio de sua corrente no
movimento sindical – a Corrente Sindical Classista (CSC) –
externou que “uma análise minuciosa nos conduz à conclusão de
que, em seu conjunto, a proposta em tela pode ser classificada
sem exageros como um retrocesso em relação à Constituição de
1988, procedendo sobre esta uma revisão de inspiração
liberal”. Com nove deputados, a tendência do PCdoB é votar
contra o texto do FNT.
Ainda, segundo a
posição da corrente comunista, a proposta “abre caminho à
desregulamentação dos direitos trabalhistas; aponta para a
divisão e uma pulverização maior das entidades sindicais;
restringe ainda mais o direito à greve e não contribui para a
indispensável democratização das gestões e eleições sindicais;
retrocede na autonomia sindical e no papel do Estado”.
Os trabalhistas
Em programa em
rede nacional de TV e rádio, o PTB (Partido Trabalhista
Brasileiro), por meio de seu presidente nacional, deputado
Roberto Jefferson (RJ), declarou-se contrário a reforma. Nas
palavras do parlamentar fluminense, o partido é contra a
reforma porque abre espaço à “pulverização dos direitos
trabalhistas”. A bancada do PTB tem 47 deputados e três
senadores.
Já o PDT (Partido
Democrático Trabalhista), partido que também reivindica a
defesa das bandeiras trabalhistas, em nota oficial, “fechou
questão contra a PEC da reforma sindical”. Os pedetistas somam
14 deputados e quatro senadores.
Na nota, o PDT
enfatiza que “a reforma sindical além de não ser necessidade
imediata, se realizada, deve ser precedida de amplo debate com
os legítimos representantes dos trabalhadores que são os
sindicatos de base que estão em contato permanente com suas
categorias”.
Socialistas
A bancada do PSB,
que conta com 16 deputados e três senadores também se
posicionou contra a reforma. Para o presidente nacional da
legenda, deputado Miguel Arraes (PE), a proposta é
“desarrazoada, pois não se sabe ao menos de onde ela veio e a
quem interessa”.
Arraes diz, ainda,
que “a PEC é um mecanismo de controle das forças conservadoras
que são contrárias às forças emergentes da sociedade, que
desejam transformações profundas”. Ele destaca, na nota, que
defende “a unicidade sindical, que é uma resposta a essa
tática de divisão dos trabalhadores”.
PMDB Sindical
O PMDB, outro
importante aliado do Governo no Congresso, por meio de seu
setor sindical, se posicionou contrário à proposta de reforma
sindical. Em seu 2º Congresso Sindical, realizado em Brasília,
no dia 13 de abril, o partido decidiu “manter a luta pela
rejeição da PEC 369/05”; e “lutar pela aprovação do PL nº
4.554/04, elaborado pelo Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST)
e apresentado no Congresso pelo deputado Sérgio Miranda (PCdoB/MG)”.
Contraste
No mundo do
trabalho, conta-se uma história que “quando patrões, governo e
trabalhadores concordam entre si, alguém está sendo enganado;
mas, em geral, não são os patrões e tampouco o governo”.
Se lenda ou não,
esta assertiva cai como uma luva neste debate sobre a reforma
sindical. Em meio às divergências inconciliáveis no movimento
sindical sobre a reforma, os patrões, representados pela CNI
(Confederação Nacional da Indústria) conferem posição
“convergente, com ressalvas” à proposta, destaca a “Agenda
Legislativa da Indústria – 2005”, publicação anual da entidade
patronal.
Na agenda, a CNI
expressa que “a proposta contribui para a modernização da
estrutura sindical ao induzir a consolidação de entidades
sindicais mais fortes e representativas”. E continua: “mas há
pontos que requerem aperfeiçoamento. É, assim, inadequado que
seja estendida a todas as entidades sindicais a legitimidade
em questões judiciais, sem a ressalva da lei. É fundamental
que esse procedimento seja regulamentado por lei, de modo a
impedir excessos”. Ressalta, ainda, que “é inadequada, de
igual modo, a obrigatoriedade de participação das entidades
sindicais na negociação coletiva sem a ressalva da lei,
retirando das empresas o direito de negociar diretamente com
os sindicatos de trabalhadores”.
Sobre a
organização sindical no local de trabalho, a CNI entende que
“a PEC também amplia acentuadamente a representação dos
trabalhadores na empresa, que passa a ser obrigatória em
qualquer local de trabalho, para todas as empresas,
independentemente de suas especificidades”.
A entidade
patronal defende a regulamentação do artigo 11 da
Constituição. “Nas empresas de mais de duzentos empregados, é
assegurada a eleição de um representante destes com a
finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto
com os empregadores”. Ironicamente, este artigo ainda não foi
regulamentado porque o patronato não concordava com ele.
“Ampla
liberdade”
Ainda na agenda, a
CNI afirma que “a indústria sempre se posicionou no sentido de
que empregados e empregadores, dentro de ampla liberdade,
negociem as formas que lhes pareçam mais adequadas para essa
representação”.
“Por fim, quanto
às modificações nas competências da Justiça do Trabalho, a
redação estabelecida para o parágrafo 2º do artigo 114 terá de
ser revista de modo a não ressuscitar o ‘Poder Normativo’ para
a solução de conflitos coletivos de interesses”.
Marcos Verlaine
é assessor parlamentar do Diap (Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar).Sobe
Fenafisco
na luta contra a reforma sindical
- Fenafisco
A
Federação Nacional do Fisco Estadual - FENAFISCO
conjuntamente com todos os sindicatos do fisco estadual
comemora o 1º de Maio, Dia do Trabalhador deste ano com um
protesto contra a PEC- 369/05 – Reforma Sindical.
Ao
longo dos anos os trabalhadores foram construindo, com seus
erros e acertos, uma organização sindical que pudesse dar
conta dos conflitos entre o capital e o trabalho. Conquistamos
direitos trabalhistas com muita luta e muitos foram
sacrificados em nome dessa causa.
Hoje,
no Brasil, vivenciamos um quadro desolador, pois conseguimos
eleger um Presidente da nossa classe trabalhadora, que deveria
estar comprometido com a agenda daqueles que o elegeram. No
entanto ele incorporou o projeto de poder e dominação do
grande capital internacional e nacional e, ao assumir o seu
mandato, encaminhou ao Congresso Nacional uma Grande Reforma
do Estado Brasileiro, iniciada pela Reforma da Previdência
que foi de encontro até ao direito adquirido, como é o caso
da cobrança dos inativos.
O
movimento sindical precisa se reorganizar para estabelecer um
confronto contra as medidas autoritárias do Governo Lula e,
neste 1º de Maio-Dia Internacional do Trabalhador, iremos
fazer um grande protesto em nível nacional contra os malefícios
da PEC 369-05, que permite:
·
A quebra da
unicidade sindical-poderá haver mais de um sindicato na mesma
base territorial;
·
Acaba com a
autonomia dos sindicatos de base, pois a categoria não poderá
mais tomar suas decisões em assembléia. Isso passará a ser
controlado pelas Centrais Sindicais;
·
Aposentados
não poderão mais ser diretores sindicais, somente os que estão
na ativa;
·
Cria a
organização através dos ramos de atividade profissional,
isso para as categorias minoritárias da iniciativa privada
será um golpe mortal, pois não terão a defendê-los seu próprio
sindicato. No Serviço Público, não sabemos como ficará.
Em
síntese, essa Reforma Sindical tem o objetivo claro de acabar
com a resistência do movimento sindical brasileiro, para que
em seguida sejam retirados direitos trabalhistas como 13º salário,
qüinqüênios, férias, licenças, etc. Assim, o Grande
Capital poderá penetrar no Brasil com mais facilidade e
explorar ainda mais a nossa força de trabalho.
A
PEC 369-05 é tão perversa que não tem unidade na base do
governo, ou seja, mesmo entre eles não existe acordo para a
aprovação dessa reforma sindical.
Colegas,
o 1º de Maio de 2005 ficará na memória dos trabalhadores
como o dia de Luta Contra A REFORMA SINDICAL imposta pelo
governo LULA. Não descansaremos a guarda enquanto nossos
direitos e a nossa organização sindical estiverem sendo ameaçados.
Brasília-DF,
1º de maio de 2005.
Sobe
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