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EM DEFESA
DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA
E
DA SUA ORGANIZAÇÀO SINDICAL
Para construir a
resistência contra esta Reforma Sindical e Trabalhista do governo
Lula, 1800 sindicalistas de 279 entidades de todo o país
reuniram-se no Encontro Sindical Nacional, em Luziânia-GO, nos dias
13 e 14 de março.
Avaliamos que a atual
conjuntura é marcada por uma ofensiva do capital para retirar
direitos dos trabalhadores do mundo inteiro. No Brasil, tal ofensiva
se acelera em função dos compromissos que o governo Lula assumiu
com o grande empresariado e com FMI, mantendo o pagamento da dívida,
arrochando salários, aumentando o desemprego e levando a frente à
“negociação” da ALCA.
A reforma da previdência
realizada por este governo manteve todas as iniqüidades que
sacrificam os trabalhadores da iniciativa privada (como o fator
previdenciário), eliminou direitos dos servidores públicos e abriu
caminho para a privatização com os fundos de aposentadoria
complementar. A Reforma Universitária anunciada visa avançar na
privatização das universidades públicas em benefício dos empresários
do ensino. E a proposta de Reforma Sindical e Trabalhista construída
no âmbito do Fórum Nacional do Trabalho (FNT), como disse o próprio
presidente Lula em conversa com jornalistas, pretende abrir caminho
para uma flexibilização generalizada dos direitos da classe
trabalhadora brasileira.
De acordo com esta
proposta, que traz de volta a idéia de fazer prevalecer o que é
negociado sobre o que está na lei, não serão mais as assembléias
de base, e sim a cúpula das Centrais Sindicais, que decidirão o
que será negociado e contratado em nome dos trabalhadores. A
proposta estabelece “critérios” de representação que na
verdade acaba com a autonomia e independência dos sindicatos frente
a empresários, governo e Centrais Sindicais. Não bastasse tudo
isso, a proposta agrava os obstáculos já existentes hoje ao pleno
exercício do direito de greve, chegando a autorizar a contratação
de trabalhadores para substituir grevistas. A substituição do
imposto sindical pela chamada “contribuição negocial” livra o
trabalhador de um desconto no valor de 3,33% de um salário mensal e
lhe impõe um desconto que pode chegar até a 13,33%, uma verdadeira
“festa do boi” com o dinheiro dos trabalhadores.
E tudo isso vem sendo
“consensuado” dentro do FNT por representantes do governo, dos
empresários e, lamentavelmente, das Centrais Sindicais. Queremos
afirmar de forma clara e categórica, que não aceitamos que tudo
isso seja feito em nosso nome. Não houve discussão com os
trabalhadores nem com os sindicatos da base de nenhuma das Centrais
envolvidas, menos ainda autorização para que chegassem aos
“consensos” que chegaram
O que nós queremos:
Não estamos entre
aqueles que acham que não há problemas na organização sindical
ou no sistema de negociações em nosso país. Nós também queremos
mudanças. Mas queremos mudanças para melhor e não para pior!
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Queremos a manutenção em lei dos direitos
trabalhistas, cuja conquista tantos sacrifícios custaram à classe
trabalhadora brasileira;
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Queremos a revogação das leis que
flexibilizam direitos aprovadas no governo anterior (contrato temporário,
banco de horas, etc);
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Garantia de emprego, o fim das demissões. Sem
isso não há liberdade de organização possível, pois o
trabalhador fica refém nas mãos do empregador. Como medida
imediata neste sentido, defendemos a ratificação da convenção
158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada;
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Redução da jornada de trabalho, sem redução
salarial;
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Proteção ao direito de organização dentro
dos locais de trabalho;
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Queremos a garantia de pleno exercício do
direito de greve;
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Defendemos a unidade, a autonomia e a independência
dos sindicatos frente ao governo, aos empresários e à própria cúpula
das Centrais;
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E defendemos também a soberania das decisões
tomadas na base, pelos trabalhadores reunidos em assembléia, pois a
eles e a mais ninguém cabe decidir sobre as questões que os
afetam.
E não aceitamos a
continuidade de um modelo econômico que subordina os interesses do
Brasil ao capital financeiro internacional, privilegia banqueiros e
grandes empresários em detrimento das necessidades dos
trabalhadores e jovens do nosso país.
É preciso retirar o
Brasil das negociações da ALCA e convocar um plebiscito oficial
para que o povo possa decidir sobre essa questão. É preciso romper
os acordos com o FMI e parar o pagamento da Dívida Externa e
Interna, para que os recursos do país sejam aplicados em benefício
da maioria da população: na Reforma Agrária; na Geração de
Empregos; em Investimentos na Saúde, Educação, Moradia,
Saneamento Básico; em um Salário Mínimo digno; etc. Esta será
uma forma verdadeira de distribuir renda neste país, e não medidas
paliativas e demagógicas como o “Fome Zero”.
Consciente de que
estas idéias só serão realidade se lutarmos por elas, o Encontro
Nacional Sindical definiu o seguinte plano de ação:
Calendário de Lutas
do Encontro Nacional Sindical
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1- março e abril – reproduzir, nos estados, encontros
sindicais nos mesmos moldes do Encontro Nacional. Realizar, nos
sindicatos e regiões, seminários, plenárias e debates sobre a
Reforma Sindical e Trabalhista;
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2- maio – realizar manifestações no primeiro de maio que,
alem das bandeiras tradicionais, paute com bastante destaque o
protesto contra a Reforma Sindical e Trabalhista (ou então
participar de atos, onde estes já estejam sendo organizados com
este caráter). Na segunda quinzena iniciar processo de manifestações
nos estados, ampliando a participação dos sindicatos de base;
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3- junho – grande manifestação em Brasília contra a Reforma
Sindical e Trabalhista do FNT, em defesa dos direitos dos
trabalhadores;
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4- Assumir, neste calendário, as atividades da campanha contra
a ALCA a Dívida Externa e o FMI, e apoiar as campanhas salariais e
as lutas em curso das diversas categorias e movimentos sociais.
Obs: A reunião de
entidades que constituiu a Coordenação (relatório em anexo)
definiu a data da Manifestação em Brasília: 16 de junho. Vamos à
Luta!
Coordenação Nacional de Lutas –
CONLUTAS
A cumplicidade das
Centrais Sindicais com o governo e empresários apenas aumenta
a responsabilidade dos sindicatos de base, federações e confederações,
que mantêm sua fidelidade à defesa dos interesses e direitos dos
seus representados.
Para assegurar a
implementação desse plano de ação em nível nacional é que
entidades presentes ao Encontro Nacional Sindical resolveram
constituir uma Coordenação Nacional de Lutas. Não se trata de
nova Central, muito menos uma organização partidária. Trata-se de
uma Coordenação, para unir todos que queiram lutar contra estas
reformas e estas políticas neoliberais do governo Lula,
independentemente de sua filiação ou ausência de filiação a
Centrais Sindicais, e aberta à participação de todas as entidades
e movimentos que quiserem se somar a esta luta.
Chamamos então a
todas as entidades e movimentos sociais à somarem-se à esta luta e
a integrarem a Coordenação
Nacional de Lutas
Os encontros
estaduais que devem ser realizados conforme estabelecido no plano de
ação deverão constituir Coordenações Estaduais de Lutas que
funcionem nos mesmos moldes que a Coordenação Nacional.
Entidades que
participaram da Reunião e aprovaram esta Carta do CONLUTAS,
constituindo a Coordenação Nacional de Lutas – CONLUTAS:
ANDES – Sindicato
Nacional dos Docentes das universidades Brasileiras
FSDMG - Federação
Democrática dos metalúrgicos de Minas Gerais
UNAFISCO SINDICAL –
Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal
FETROMINAS - Federação
dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Minas Gerais
FENAFISCO – Federação
Nacional dos Trabalhadores no Fisco Estadual
FTIMMME/MG - Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Minas Gerais
SINASEFE –
Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e
Profissional
SINDIRECEITA –
Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal
SINDILEGIS
- Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do
Tribunal de Contas da União.
Sindicato dos Metalúrgicos
de são José dos Campos/SP
Entidades que se já
se somaram à Coordenação Nacional de Lutas - CONLUTAS
FEEB/MG,GO,TO,DF -
Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Minas
Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal
FETIGESP - Federação
dos Trabalhadores na Indústria Gráfica do Estado de São Paulo
FENAL – Federação
Nacional dos Servidores do Legislativo Estadual;
Sindicato dos Ferroviários
de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito
Federal
Sindicato dos Gráficos
de São Paulo;
União Nacional
Sindical – UNS
Na medida que outras
entidades ou movimentos sociais venham a aderir, divulgaremos a
todos. A adesão das entidades à Coordenação Nacional de Lutas
pode ser feita pelo e-mail resistência_sindical@hotmail.com
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