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Para Ipea, reforma tributária e no câmbio são imprescindíveis para o Brasil

Em 14/05/2010

O diretor do grupo de estudos sobre a crise financeira mundial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Milko Matijascic, disse que o Brasil precisa fazer uma reforma tributária profunda e adotar taxas de câmbio que sirvam para encorajar os setor industrial a investir. Só assim, os ganhos das classes mais pobres poderão se consolidar, opinou.

"O salário mínimo foi um farol importante. É uma política que precisa ser continuada porque ainda pode render ganhos. Mas precisamos recorrer a outras formas de políticas, principalmente a política tributária para que esses ganhos salariais se consolidem e para que as desigualdades da sociedade possam diminuir”.

Não se trata, na opinião do economista, de diminuir a carga tributária, mas de fazer com que ela seja mais progressiva e incida menos sobre os mais pobres. “A carga tributária brasileira é plenamente compatível com o nível de sofisticação do Brasil, mas ela incide principalmente sobre aqueles que ganham menos. Até para consolidar os ganhos dos mais pobres é necessário que a carga tributária se torne mais redistributiva”.

Quanto às taxas de câmbio, Matijascic disse que favorecem os setores exportadores de commodities e deixam os setores manufatureiros sem condições de competir no mercado externo. “Nosso câmbio tem se mostrado bastante volátil. As pessoas que saem do país já encontram preços baixos. Isso cria um desestímulo para alguns setores manufatureiros. Nos setores exportadores, nós levamos mais vantagens, não há tantos riscos”.

Cabe ao governo, na opinião do economista, planejar e escolher o tipo de economia que seremos no futuro. “Nós estamos caminhando de uma economia mais primitiva para outro tipo de economia que vai exigir relações mais complexas com melhores níveis de valor agregado e de melhor qualificação. Isso é que precisamos promover”.

O estudo do Ipea divulgado hoje (13) demonstrou que setores tradicionalmente mal remunerados apresentaram maiores ganhos no período de 2002 a 2008, o que diminuiu a desigualdade de renda.

O ganho do salário mínimo foi o fator que mais impactou para o aumento da renda. Para os agricultores, o ganho foi de 21,15%, entre 2002 e 2008, e para os trabalhadores domésticos, 15,36%, no mesmo período. A renda média do trabalho no Brasil aumentou 7,59%, de 2002 a 2008.

Grupos desfavorecidos no mercado de trabalho também tiveram ganhos. Trabalhadores não brancos obtiveram alta de 17,92% em seus salários. Aqueles com até quatro anos de estudo tiveram aumento de 12,39%. E os trabalhadores das áreas rurais aumentaram seus ganhos em 28,15% e os nordestinos passaram a ganhar 19,69% a mais.

No entanto, os setores mais qualificados tiveram uma performance fraca, exceto naqueles que tiveram investimentos estatais, como infraestrutura e geração de energia. "Obtiveram ganho as pessoas que estavam mais ligadas às decisões de investimentos do Estado. Quem esteve mais ligado ao mercado, aos investimentos privados, apresentou perdas maiores”.

 

Autoria: Agência Brasil

 

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